Nascemos e a primeira coisa que fazemos é respirar. Aquela primeira inspiração, muitas vezes acompanhada de choro, é a nossa entrada neste mundo.
Durante muitos anos permanecemos assim, a aprender a "respirar", como numa prática de Yoga. Sentamo-nos e, com delicadeza, apenas existimos, respiramos, observamos e aprendemos, sem pressa.
À medida que vamos crescendo, na vida e na prática, tornamo-nos capazes de realizar posturas mais difíceis. Começamos por posturas mais simples para aquecer o nosso centro, a coluna vertebral. Aprendemos a movimentar este eixo do qual partem todos os nervos que dão vida e movimento a cada órgão do nosso corpo, a cada membro.
À medida que a prática, ou a vida, se vai desenrolando, vai exigindo mais de nós: mais força, mais flexibilidade, mais equilíbrio. As posturas tornam-se progressivamente mais desafiantes e cabe-nos a nós observar e respeitar os nossos limites. Os limites do nosso corpo não são uma fraqueza, mas antes uma proteção, uma mãe cuidadora da nossa longevidade.
Depois de um pico, daquela que talvez seja a postura mais desafiante de todas, o corpo começa a pedir que diminuamos a intensidade da prática. Tal como na vida, os anos passam e, mesmo que tenhamos dificuldade em aceitar, a vida pede-nos que abrandemos para continuarmos em equilíbrio.
Lentamente, vamos voltando a estar mais perto do tapete, das nossas raízes, mais ancorados naquilo que realmente importa. As posturas vão-se aproximando da terra, até ficarmos deitados.
Por fim, Savasana... Não será por acaso que significa "postura do cadáver". Aqui chega o descanso, onde entregamos o corpo à terra, à natureza. Aqui dissolvemo-nos no todo, abandonamos crenças e julgamentos, deixamos de ser dominados pelos pensamentos e somos apenas nós: o nosso Ser mais profundo, mais real e mais verdadeiro.
Aqui, na melhor parte da prática, o corpo deixa de pesar e a consciência expande-se.
No tapete, como na vida, existe beleza, existem desafios, existem falhas e evolução, mas também retrocessos. No tapete e na vida, existe uma voz silenciosa e sábia que sempre nos guia.